A ROMÃ MILAGROSA – UMA HISTÓRIA PARA TU-BISHVAT

A ROMÃ MILAGROSA – UMA HISTÓRIA PARA TU-BISHVAT

A ROMÃ MILAGROSA – UMA HISTÓRIA PARA TU-BISHVAT

Por Rabino Shmuel Binjamini

Em Tiberias, morava Nissim Kinori, um judeu pobre. Ele passava os dias estudando a Torá na sombra da única árvore no seu pátio. Era uma frondosa árvore, que dava romãs vermelhas e saborosas. Judeus e árabes compravam as romãs de Nissim: era conhecido que elas tinham qualidades de cura.

Com a venda das romãs, Nissim se sustentava o ano inteiro. E ano após ano, Nissim esperava passar o triste Tisha Beav(1)e depois colhia as romãs. Ele e sua família as comeriam no próximo Shabat, e recitariam alegremente o “Shehecheyanu” (2).

Nissim tinha filhas crescidas mas era pobre demais para poder casá-las. Além disso, naquele verão, sua árvore não deu frutos. Em desespero, Nissim pediu para um filho subir na árvore e procurar por alguma fruta. O filho desceu com apenas três romãs, mas estas eram grandes e bonitas, como Nissim jamais tinha visto. No Shabat, a família sentou em volta da mesa, duas romãs foram abertas e partilhadas entre eles. Nissim recitou o Shehecheyanu como sempre.

No dia seguinte, vieram os clientes com cestos para comprar romãs. Nissim explicou para eles que neste ano não haveria romãs. Desse dia em diante a família de Nissim passou fome de um jeito que ninguém mais tinha ânimo para pensar em casamentos. Enquanto isso, surgiram comentários a respeito da “árvore abençoada”; as pessoas diziam que neste ano todas as qualidades da árvore se concentraram nas três romãs que ela deu. Era sabido que havia sobrado uma romã, e as pessoas competiam para ver quem iria comprá-la.

Ofereceram grandes somas de dinheiro mas Nissim recusava-se a vender a última romã que sobrara. “Todo ano comemoro Tu-Bishvat (3) com minhas romãs e este ano não será diferente!” Sara, a esposa de Nissim, não gostava da idéia, mas ao deparar-se com a insistência de Nissim em não vender a romã, o convenceu a viajar pela Turquia para pedir ajuda financeira nas comunidades judaicas.

Na Turquia, Nissim não queria aproveitar-se do fato de ser um residente da terra santa, então ele não dizia sua origem. Como resultado disso, as doações que ele conseguiu juntar foram poucas. Assim, após passar por várias comunidades, ele chegou a Kushta(Istambul). Ao entrar na sinagoga, reparou que ela estava cheia de judeus preocupados: o príncipe estava doente e o Sultão estava convencido de que a culpa era dos judeus. O Sultão exigia a cura do príncipe, caso contrário todos os judeus seriam expulsos.

De repente, o Shamash aproximou-se de Nissim e perguntou se por acaso ele vinha de Israel. “Como você sabe que sou de Israel?”, perguntou surpreso Nissim. “Nosso rabino é um judeu santo e ele sentiu na sua entrada o “cheiro da terra de Israel”, respondeu o Shamash. E disse: “Venha comigo, por favor. Nissim comprimento o rabino e disse: “O senhor certamente cheirou a minha romã.” O rabino abriu um grande sorriso e disse: “Desta romã virá a nossa salvação.
Era Tu-Bishvat (3) e o rabino estudava o significado das frutas diversas quando a palavra “Rimon” (romã) brilhou em seus olhos por longo tempo. Disso o rabino deduziu que a cura do príncipe dependia de uma romã. Nissim e o rabino correram ao palácio, onde espremeram a metade da romã e serviram ao príncipe. Em seguida o príncipe recobrou a consciência e melhorou rapidamente. Aliviado e entusiasmado, o Sultão deu a Nissim uma vultosa soma de dinheiro como sinal de gratidão. Logo Nissim dividiu a outra metade da romã com o rabino em honra á Tu-Bishvat.
Recompensado com sua fortuna, Nissim retornou a Tiberias. A partir daí, sua árvore voltou a dar as abençoadas romãs como sempre.
(1) Jejum de luto pela destruição dos dois templos.
(2) Agradecimento a De-us por frutas da nova safra.
(3) 15 de Shvat, “ano novo das árvores”.FONTE:Sichot Lanoar vol.II

2 Comments
  • Tânia Vieira Pereira
    Posted at 14:14h, 05 junho Responder

    Sr. Rabino, Gentio/Bnei Noach pode plantar uma árvore de Romã como intenção de cura?

    • Rabino Shmuel Binjamini
      Posted at 23:51h, 09 setembro Responder

      Se for p cura usando a planta como medicação sim, se for uma superstição “sobrenatural” não digo q seria proibido mas me parece “perto de ser proibido”. Boa noite

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