Ensaio sobre a função e ordenação do “Rabino”:

Ensaio sobre a função e ordenação do “Rabino”:

“O Rabino”
Rabino (em hebraico: Rav), significa mestre. Os rabinos são ordenados num processo chamado “Smichá” que significa literalmente “apoiar as mãos” em alusão ao versículo (1) que relata o momento onde Moisés ordena Josué como o próximo líder do povo de Israel.
A tratado Talmúdico “Ética dos Pais” relata os sábios que sucederam como “guardiões da Torá” outorgada por D’us no Monte Sinai. Maimônides(2) relata os nomes dos principais rabinos nas quarenta gerações após Moisés. Esta lista culmina na geração do sábio Rav Ashi da Babilônia. Este foi o último dos sábios do Talmud e foi seguido pela era dos “Gueonim” (i.e. gênios), e depois pelos Rishonim (primeiros comentaristas do Talmud), um dos quais foi o próprio Maimônides. Após Rav Ashi não possuímos uma lista exata dos “guardiões da Torá” e por isso surgem diferenças nos costumes e comparações onde cada região segue os seus próprios líderes que por sua vez estudam as obras de todos os principais sábios anteriores a eles antes de definir alguma lei que não está claramente definida até então. Vale ressaltar que nenhum sábio tem a capacidade de modificar uma lei que já foi definida por um sábio de uma geração anterior. Há pouco mais que quatrocentos anos, Rabi Yosef Caro de Safed divulgou a obra “Shulchan Aruch” (Código de Leis) que foi aceita por todos os judeus Sefaradim e Ashkenazim da época(3). Desde Rabi Yosef Caro, o judeu que desejar responder pela lei judaica segundo o método Talmúdico milenar que guia o povo judeu, além de ser um pio observante da lei que deseja representar, deve adquirir a habilidade de ler e memorizar textos Talmúdicos e responsas rabínicas ao ponto de poder fazer comparações entre os mesmos e as situações reais onde ele ira legislar.(4)

(1) Deut. 34:9 “…e Josué estava repleto de espírito de sabedoria pois Moisés apoiou as suas mãos sobre ele (o nomeou como sucessor) e ouviram a ele os filhos de Israel”
(2) No prefácio a sua grande obra Yad Hachazaká.
(3) Minorias como os yemenitas por exemplo, seguem Maimônides como principal fonte de legislação. Os Ashkenazim seguem o Shulchan Aruch acompanhado dos adendos de Rabi Moshe Isserlish de Cracóvia.
(4) Para alguns assuntos o futuro rabino deve acompanhar os respectivos processos técnicos ganhando experiência prática.

1 Comment
  • Tânia Vieira Pereira
    Posted at 14:17h, 06 junho Responder

    Os judeus são hoje “guardiões da Torá” ?

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